17/09/05

Mãos!...

                                      Um gesto, um chamamento
                                      De enfado, de ternura
                                      De oração, de sentimento
                                      De prazer, de loucura

                                      De um beijo que se envia
                                      De um obstáculo que desvia

                                      Mãos em rosto afagando
                                      Mãos lisas, mãos enrugadas
                                      Mãos feridas, encarquilhadas
                                      Mãos ao alto, implorando,

                                      Mãos no peito batendo
                                      Mãos puras e belas
                                      Mãos por alguém sofrendo
                                      Mãos de muitas quimeras

                                      Mãos que amam
                                      Mãos que se estendem
                                      Mãos que embalam
                                      Mãos que se vendem

                                      Mãos de irmãos
                                      Mãos sem idade
                                      Mãos que são mãos
                                      São mãos de AMIZADE!

23/08/05

Fora de Horas...

Esfumaram-se todos na bruma fria e densa da noite escura. Estou só com os meus fantasmas. Arrepio-me.

Os dedos percorrem o teclado, juntando letras, formando palavras…

… Quantas vezes temos uma multidão a rodear-nos e sentimo-nos sós. Quantas das vezes olhámos para alguém a nosso lado e, amargura, esse alguém já nada nos diz. Quantas das vezes gritámos ao vento e ouvimos o eco das nossas palavras. Quantas blasfémias, soluços, paixões…

… As horas voam como pássaros assustados. Horas de mutismo, horas de contemplação, horas de interiorização… e os ponteiros avançam. Uma, duas, três horas da madrugada, já são quatro. Como na vida, as horas da noite caminham para o seu fim, irredutíveis, sem parar!..

… Só eu é que ando fora de horas. O dia está a nascer. Ao longe a neblina matinal envolve as casas e as árvores. Um despertador toca, corpos espreguiçam-se, a noite morre o dia nasce. Em silêncio, nada mais me interessa senão esta amargura que sinto. Um dia que se junta a outro que já passou, sem deixar rastros ou lembranças. Dias que se transformam em semanas, meses, anos. Mais um dia que para mim será noite. Tenho que descansar o corpo, descansar a alma. Rostos e mais rostos, passos e mais passos. Frenesim, multidão, poluição. Gritos, choros, indiferença. Um pulsar. O sol omnipotente espreita, é verão!.. e eu, sozinho — tão sozinho — estou fora de horas!


20/08/05

Escrevi...

Cartas de Amor! Cartas que encurtavam a distância com a força da escrita, em que a paixão se expressava sem medo e as palavras fluíam livremente pela pena, levadas pelo vento. Versos que revelavam sentimentos, emoções vividas, lágrimas derramadas.

Cartas que contavam sonhos, planos ou simplesmente declaravam… Amo-te!

Cartas amassadas, cartas rasgadas, o recomeçar a escrever; a dor do afastamento, da ausência, do desejo e da saudade. Saudade de regressar, saudade do Amor!

Cartas com aromas, beijos, corações e juras. Cartas de raiva, de ciúme e de perdão.

Hoje, permanecem guardadas, ordenadas, amarradas. Memórias escritas de um tempo em que o tempo era contado… pelo atraso da resposta!

…Cartas de Amor, quem não as tem?!

09/06/05

O Mar

Ó mar eterno, mar eterno
Que desde o inicio dos tempos perduras
Canta-te em Odisseia Homero
Heróis de fantásticas aventuras

Marius

Chego à praia deserta. Centenas de gaivotas repousam na areia, aguardando os primeiros raios solares que lhes aqueçam o corpo e lhes deem o vigor para voar. O mar ergue vagas que se quebram com força na areia sedosa, que parece dizer: «Quanto mais me bates, mais gosto de ti».

As dunas, com a sua vegetação típica, parecem partilhar comigo o silêncio ruidoso que me envolve. Por momentos, esqueço-me do resto do mundo, fico eu e o mar… apenas!

As cristas brancas, ondulantes. Como tudo se integra em mim. Sento-me às vezes no meu rochedo e converso com ele, com o mar, com o meu mar e ele escuta os meus silêncios.

Olho para o infinito e sei que um dia, o mar e eu, seremos um!

13/05/05

F l y










Empresta-me as tuas asas passarinho
Para voar na abóbada celeste imensa
Pois na terra eu caminho
Entre trevas e névoa densa

Quero as tuas asas
Para ver maravilhas do mundo
Pois na terra além de desgraças
Horrores de guerra,... vislumbro!

Tenho como singular desejo
Ver paisagens da natureza
Pois na terra homens vejo
Uns na pobreza outros na riqueza

Quero ver do firmamento
Mares, rios, fios de prata
Pois na terra traz o vento
Cheiro de morte do ferro que mata

Quero aquela estrela mimosa
Que cintila ali em cima
Pois na terra fria e orgulhosa
A guerra sobre despojos humanos caminha

Quero planar
Enquanto tu descansas
Quero rasar o mar
Molhar-me nas águas mansas...


... e, quando um dia, a vida me lançar da falésia da existência em queda vertiginosa, ó Fernão dá-me asas para fazer um "looping" e poder voar... rumo ao infinito, rumo à perfeição!





Dez.73