22/11/18

Mesa de Café

Olhava pela janela do café. Gente igual a tanta gente. De vez em quando, debruçava o olhar sobre o jornal, mas nada de interesse lhe fixava a atenção. Parecia alheado de tudo e de todos.

Levanta a cabeça e vê-a. Os seus olhares se cruzam como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas não foi. Sentiu naquele olhar algo mais que um simples olhar. Levantou-se e dirigiu-se para a mesa onde um cheiro de mulher lhe adocica os sentidos. Pega na mão dela e junta-a às suas.

Inicialmente sente um certo retraimento, mas aquele mesmo gesto parecia que já tinha sido feito há muito tempo e que, afinal, aquelas mãos já se conheciam de outras eras.

Cá fora, o frio de novembro apressava os passos de quem, ao fim do dia, se dirigia para casa.

Olhos nos olhos, mãos nas mãos, só eles não tinham pressa, como desejando que aquele momento fosse eterno.

Mas nada é eterno!