09/08/19

Amar de verdade é...




Amar, é o que a pessoa representa na sua totalidade e não parcialmente.

Amar, é o que essa pessoa pode dar: o seu amor incondicional.

Amar, é ver nos seus olhos centelhas luminosas de duas estrelas que brilham como os dele(a).

Amar, é entrega sem outro pensamento que não seja... viver o momento.

Amar, é amar quem nos ama. Sentir o prazer do amor é uma dádiva que não se pode desperdiçar.

Amar é o mais importante, tudo o resto é irrelevante.

Amar, é dar tudo sem nada exigir.

Se os olhos choram de saudade, é porque têm saudade da pessoa que ama. Quem não tem saudade, quem não chora, não ama, são devaneios e nada mais.


01/08/19

O primeiro beijo



As palavras são demais para definir o que se passou entre eles. O amor e carinho foram muito importantes para sentirem que para além do que os separa, havia muito que os aproxima, e isso viram nos olhos, no calor dos lábios, no afagar das mãos, no encontro dos peitos, no abraçar como pedindo que o mesmo fosse eterno, e isso era o amor que os unia.

O receio inicial, o de pensar que no primeiro encontro se dariam dois beijos na face, quando o que desejavam era um beijo nos lábios. E isso aconteceu. O dar a mão e o seguirem juntos, era como se conhecessem desde sempre.

Sentaram e abraçaram-se indiferentes a quem lá estava, a quem por lá passava, unidos no mesmo desejo.

Os olhos dela, eram vaga-lumes perscrutando os olhos dele como querendo ver o seu interior. As suas bocas uniam-se vezes sem fim. As línguas envolviam-se num maravilhoso compasso. As mãos no regaço, com as dele entre elas, moviam-se suavemente. Ele mexia no seu cabelo, como se o afagar tivesse o condão de o prender, de não o largar mais, até que as suas bocas se voltassem a unir.

O tempo parou. Estiveram ali como se o tempo não existisse mas, o tempo, infelizmente, existe e tinha chegado a altura de se separarem. Foi devagar que o fizeram, aproveitando o tempo restante, como se não houvesse passado, como se não houvesse futuro, apenas o momento.

Foi numa manhã linda. Uma manhã que foi o início do que já vinham desejando há muito e agora realizado. Nessa manhã, deram o seu primeiro beijo, num banco de jardim.

02/07/19

Palavras Sussurradas



Percorre aquela serra onde ao longe se ouve o mar. O céu, carregado, traz uma certa melancolia ao lugar. Olha o horizonte onde as nuvens se misturam com as águas numa amálgama de cinzentos como se o mundo começasse e acabasse ali.

Segue pelo piso escorregadio e, de repente, uma figura de mulher se lhe atravessa no caminho. Olha para aquele rosto e um sorriso surge como iluminando o dia. O seu coração bate com força. Saído de uma relação que lhe destroçou e fazendo isso parte de um passado já longínquo, não estava a fim de ter nova paixão.

No entanto, algo lhe dizia que não seria fácil esquecer aquele sorriso. Os olhos que viu eram estrelas, parecendo que o céu tinha descido à terra. Ela não se apercebe da atrapalhação dele quando começaram a conversar. Seguiram o mesmo percurso até que se separaram. Ela ficou e ele esperando que ela viesse, segue o caminho, alvoraçado, sempre olhando para trás. Não sabia a razão porque gostara tanto daquela mulher quando a viu. Mas o que não tem explicação explicado está. O destino tem destas coisas.

Deita-se. Os olhos vão fechando lentamente. Uma figura surge no seu sonho, é ela. Como se não houvesse espaço a separá-los, vê-a junto a si. Os seus olhos fitam-se como sempre se tivessem visto. O cabelo cai-lhe sobre o rosto. Linda! As suas mãos cruzam-se, os lábios aproximam-se e tocam-se num beijo apaixonado. A mão dele percorre o seu corpo, retirando peça a peça a roupa que a encobre. A sua pele vai arrepiando a cada passagem. Pousa a mão nos seus seios, sente a rigidez dos seus mamilos e beija-os sentindo o arfar do seu peito. Sussurra-lhe ao ouvido palavras de amor. O corpo estremece.

Beija-lhe os cabelos, os olhos, os lábios e vai descendo até sentir a humidade do seu sexo. Ela enlaça-o, ambos procuram saciar o desejo. Ele sussurra: "Sinto o teu prazer e gosto que faças amor comigo. Sinto o teu cheiro e fico inebriado. Vem amor, és toda minha e eu sou todo teu, tu estás em mim e eu estou em ti".

Os corpos explodem de prazer em sintonia perfeita.

Fitam-se e, abraçados, adormecem profundamente.


22/11/18

Mesa de Café



Olhava pela janela do café. Gente igual a tanta gente. De vez em quando, debruçava o olhar sobre o jornal, mas nada de interesse lhe fixava a atenção. Parecia alheado de tudo e de todos.

Levanta a cabeça e vê-a. Os seus olhares se cruzam como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas não foi. Sentiu naquele olhar algo mais que um simples olhar. Levantou-se e dirigiu-se para a mesa onde um cheiro de mulher lhe adocica os sentidos. Pega na mão dela e junta-a às suas.

Inicialmente sente um certo retraimento, mas aquele mesmo gesto parecia que já tinha sido feito há muito tempo e que, afinal, aquelas mãos já se conheciam de outras eras.

Cá fora, o frio de novembro apressava os passos de quem, ao fim do dia, se dirigia para casa.

Olhos nos olhos, mãos nas mãos, só eles não tinham pressa, como desejando que aquele momento fosse eterno.

Mas nada é eterno!

17/09/18

O Falo



(tema dedicado a São Rosas)

Passava longas noites acordada. Algo tinha mexido com o seu espírito, com o seu estado de alma. Não sabia a razão porque acordava com pensamentos lúbricos, como se algo lhe faltasse naquela relação a dois que mantinha com homem que a seu lado dormia. O sonho era sempre com algo grande, algo que a penetrasse, que a rasgasse, não como antecâmara da morte, mas sim como o prazer da vida.

Na praia olhava para os outros homens. Mirava os casais e a atrapalhação de alguns machos quando o seu corpo roçava nem que fosse ao de leve, com aquelas formas estonteantes que se encostavam ao seu corpo. Elas ou se apercebiam do facto e olhando sorriam como brincando com a sua masculinidade ou, na maior parte das vezes, nem disso se apercebiam.

As ondas iam e vinham. Ora grandes, ora pequenas. O seu olhar deambulava por aquelas falésias perigosas onde as pessoas sem terem noção disso, ali procuravam sombra. Quando um dia cair um pedregulho em cima, terão a sombra completa.

O corpo a seu lado, dormitava. Levantou-se, olhou para o mar. Algures a Atlântida tinha-se afundado mas, no seu interior, as Amazonas continuavam a fazer dessa Atlântida o seu paraíso. A chefe guerreira, procurava homens para a satisfazer durante o tempo que lhe durasse o desejo do libido, e quando deles se cansava, seria mais um a fazer parte de um silo incrustado na parede, onde, empalhados, outros homens ali jaziam.

Sentia-se uma delas, guerreira e rebelde. Só num dos casos era bom não o ser, não se estava a ver com um seio direito mutilado para melhor uso do arco e da lança. Que Ártemis lhe perdoasse, mas isso nunca seria capaz de o fazer.

Os seus passos dirigiam-se abstratos da Praia dos 3 Castelos em direção à praia do Alemão. Ia São Rosas absorta nos seus pensamentos quando, olhando para uma falésia, viu o seu sonho ali bem vincado. Um grande falo estava em frente dos seus olhos. Por ali tinha passado numa deambulação anterior e essa imagem tinha-lhe ficado gravado inconscientemente no seu cérebro. Nunca tinha visto uma coisa assim e nunca iria ver. Coisas da natureza que dão imagens destas, que cada um interpreta à sua maneira ou não interpreta de maneira nenhuma.

Contemplou mais uma vez o seu "sonho" e, devagarinho como se não quisesse desfazer-se dele, voltou para trás. Deitou-se ao lado do homem que ainda dormitava e, colocando-lhe o braço por cima, agradeceu o facto de ele ter algo mais pequenino mas, que no fundo, fazia parte da sua felicidade.

Os olhos fecharam-se e nada mais veio perturbar o seu espírito.