Sou o porteiro da noite. Testemunho os encontros e desencontros que acontecem neste bar.
Observo tudo, mas finjo não ver. Escuto tudo, mas finjo não ouvir. E diante das perguntas mais inconvenientes, calo-me. Esse é o meu papel.
Não me importa quem entra ou quem sai com quem. Vivo em função do mundo. Giro e ao meu redor outros giram. Buscando algo ou alguém para se agarrar como tábua de salvação de uma existência efêmera.
Fuga ilusória. Braços, abraços, pernas entreabertas, sedutoras, um convite à luxúria, ao prazer.
Na calçada, passos apressados, um chiado, uma porta que se abre, uma porta que se fecha. Um corpo que se entrega, uma paixão que explode em mil tormentos, um beijo roubado em lábios frios, indiferentes… E a noite que nunca termina.
Olhos sonolentos, cansados, boca de esgares, de vícios consumidos entre um copo e um cigarro. Tudo vejo, pois sou… o porteiro da noite!

Tema escrito num Fórum, onde muitas amizades se fizeram e era o ponto de encontro dos que andavam... Fora-de-Horas! 15 Abril 2003 - 12-04-2005