16/02/07

O Meu Caminho!...


Sigo o meu caminho. Não há nada nem ninguém que consiga desviar-me um só milímetro deste meu rumo. Olhando para os caminhos que percorri, para aquilo que passei, pelas matas por onde andei, pelas mulheres que amei, não me arrependo de nada.

Sigo o meu caminho serenamente, fitando aquele que será o derradeiro caminho da minha vida com a sensação plena, de que se mais não fiz foi porque mais não pude.

Se não voei mais alto, foi porque voei até onde as minhas asas me permitiram.


Sigo o caminho… o meu caminho!.. Nunca segui dogmas, conceitos, opiniões de quem quer que seja. Nunca me senti mais um do rebanho, pois nunca houve “pastor” que tivesse coragem de tentar levar-me por caminhos que não fossem os meus.

Segui o meu caminho ouvindo os meus cantores de intervenção com uma espingarda na mão, e nunca houve ninguém que me impedisse de os ouvir, mesmo que tivesse como destino quatro paredes e umas grades como quarto.

No meu caminho, olhei a cascata caindo sobre corpos cor de ébano, riachos com água límpida escorrendo pelas minhas mãos, corpos de crianças dando os últimos suspiros, pés nus calcorreando picadas, pores-do-sol deslumbrantes, céus estrelados, passagem de meninas a mulheres nas “casas-de-tinta” após a 1ª menstruação, virgindades vendidas e, à volta da fogueira, ouvia histórias de um povo orgulhoso, enquanto a madeira crepitava e bebidas escorriam.

Segui sempre o meu caminho sem medos, mesmo que, a meu lado, o capim restolhasse, que por perto balas silvassem, que o meu pescoço braços o apertassem.

Sigo o meu caminho, continuarei a ver o mar em cima do meu penedo, perscrutando as suas entranhas, falando baixinho com ele, mesmo que o mundo desabe à minha volta.

Continuarei a ser EU, podem dizer de mim o que quiserem, o que bem entenderem mas Homem castrado isso,… Nunca o serei!

29/12/06

Deixa-me!... Adormecer


Ah, quem me dera adormecer para nunca mais acordar!

26/11/06

O Relógio!...



Se quiseres tiro tudo, exceto o relógio. Ele conta o tempo que posso estar contigo, nem mais nem menos um minuto. Ele dita o meu ritmo, a minha presença neste mundo.

Impiedosos, os ponteiros acumulam os segundos que viram minutos que viram horas, meses, anos.

Não tenho tempo, tempo que me devora, tempo que me impede de ter mais tempo para estar contigo.

Pede-me tudo menos tirar o relógio. Mesmo de relance, tenho que ver as horas. O relógio da torre bateu, são horas, horas de me ir embora!.. Acabou-se o tempo… o tempo foi consumido!.. Nem mais um segundo sobrou.

Desço as escadas, sei que tu terias mais tempo para ficar comigo mas eu sei que não tenho mais tempo para ficar contigo!

Chego ao carro, fico um tempo a acalmar as pulsações do coração, sorrio um pouco da loucura que é este de não ter tempo para se amar sem pressa.

Arranco, cruzo a cidade com as luzes de néon guiando-me o caminho, olho para o braço e percebo que, afinal, me tinha esquecido do relógio, do meu relógio… na tua mesa de cabeceira!

18/11/06

Sou Como Uma Rocha!...

Sou como sou e não há nada nem ninguém que irá mudar a minha forma de ser.

18/10/06

No Escuro da Noite!...

A chuva cai impiedosa. A lua surge e some por entre as nuvens, lançando breves clarões sobre a figura que espera algo ou alguém na esquina.

Os carros, escassos, rasgam a noite em disparada, como se fugissem de uma inimiga e ferissem o seu ventre com os seus faróis.

Um silêncio se instala, nada se mexe, nada se escuta, só eu e ela estamos ali. Ela não me vê, está só com o mundo!..

Um brilho fugaz, uma lágrima escorre. O seu rosto fica imóvel voltado para o vazio, as mãos apertam o peito como se quisessem conter uma dor imensa num corpo sofrido.

A chuva recomeça com força, ela se abriga no vão de uma porta.

Aproximo-me, coloco o meu braço sobre os seus ombros, um arrepio percorre-lhe o corpo encharcado e juntos nos perdemos na escuridão da noite.