Chove!
Será que chove tanto assim,
Ou serão lágrimas de mim?!
Quero calçar os ténis,
Correr por essas estradas sem fim,
Mas não consigo,
Não sei o que há em mim.
Desfaleço
Quando antes me lançava
Hoje, espero que pare
Estremeço
Mas a chuva sempre foi assim
Mais forte, mais meiga
Nunca me travava
Agora olho
E fico
Não sei o que há em mim!
02/09/17
14/12/15
O Despertar
Entrei a medo. Uma lamparina iluminava vagamente o interior mostrando uma pequena cómoda e pouco mais. Na parede uma imagem protectora.
Olhei para ti. Deitada na esteira, aguardavas-me como se esse acto fizesse parte do teu dia a dia. Confesso que bebi um pouco para ter a coragem suficiente para te bater à porta. Cá fora, o bulício próprio das noites quentes de África, homens procuravam mais uma noite de prazer.
De vez em quando gritos ecoavam, uma mão caía com força na cara de uma mulher obrigando-a a prostituir-se para os seus vícios.
Em cada porta havia um corpo desgastado pelo tempo aguardando que um olhar se voltasse para ele a fim de que mais uma migalha de pão pudesse ser tragado pelo candengue que na escuridão da cubata a tudo assistia.
Mas tu não, aguardavas-me silenciosa perscrutando-me com os teus olhos negros. Sinto que sorriste ao de leve ao sentires a minha atrapalhação. Fizeste-me sinal para me sentar a teu lado.
Deslizaste a mão suavemente pelo meu corpo suado. Corpo imberbe ainda, onde aqui e ali um pequeno tufo de pelos anunciava o fim do adolescente e o principio do homem.
No meu jeito desastrado, como a descobrir a essência do corpo de uma mulher, procurei corresponder mas, os sentidos nublados pelo etílico inibia-me o gesto, o movimento e, a mão, quedou-se nos teus peitos hirtos.
Pouco a pouco foste-me retirando cada peça de roupa, o teu corpo de corça enroscou-se no meu, os sentidos foram despertando lentamente como se a fronteira existente entre o adolescente e o homem fosse um pequeno abismo que tivesse que ser transporto não de um salto mas sim, como se tivesse que contornar cada obstáculo, devagar, devagarinho saboreando ao máximo o abandono do corpo de menino.
Depois o êxtase, o clímax, deitado a teu lado, o meu corpo de homem abraçou o teu cor de ébano e adormecemos profundamente.
Olhei para ti. Deitada na esteira, aguardavas-me como se esse acto fizesse parte do teu dia a dia. Confesso que bebi um pouco para ter a coragem suficiente para te bater à porta. Cá fora, o bulício próprio das noites quentes de África, homens procuravam mais uma noite de prazer.
De vez em quando gritos ecoavam, uma mão caía com força na cara de uma mulher obrigando-a a prostituir-se para os seus vícios.
Em cada porta havia um corpo desgastado pelo tempo aguardando que um olhar se voltasse para ele a fim de que mais uma migalha de pão pudesse ser tragado pelo candengue que na escuridão da cubata a tudo assistia.
Mas tu não, aguardavas-me silenciosa perscrutando-me com os teus olhos negros. Sinto que sorriste ao de leve ao sentires a minha atrapalhação. Fizeste-me sinal para me sentar a teu lado.
Deslizaste a mão suavemente pelo meu corpo suado. Corpo imberbe ainda, onde aqui e ali um pequeno tufo de pelos anunciava o fim do adolescente e o principio do homem.
No meu jeito desastrado, como a descobrir a essência do corpo de uma mulher, procurei corresponder mas, os sentidos nublados pelo etílico inibia-me o gesto, o movimento e, a mão, quedou-se nos teus peitos hirtos.
Pouco a pouco foste-me retirando cada peça de roupa, o teu corpo de corça enroscou-se no meu, os sentidos foram despertando lentamente como se a fronteira existente entre o adolescente e o homem fosse um pequeno abismo que tivesse que ser transporto não de um salto mas sim, como se tivesse que contornar cada obstáculo, devagar, devagarinho saboreando ao máximo o abandono do corpo de menino.
Depois o êxtase, o clímax, deitado a teu lado, o meu corpo de homem abraçou o teu cor de ébano e adormecemos profundamente.
14/05/15
Esta Noite
Esta noite
no silêncio destas paredes sombrias
cheias de palavras consumidas
a lua dança com gestos de encantamento
e as estrelas sorriem de prazer
Esta noite
invento-te nesta distância magoada
onde as palavras repousam
nos lábios ausentes que riem e se alimentam
de sabores sonhados
Esta noite
arde uma fogueira de nostalgia
e o mistério absorvente da tua luz
entra em mim mansamente
Aqui
longe de ti e de tudo
sinto-me bem dentro de ti
e deixo-me ficar
António Sem
13/05/14
Detalhes

Quando te vi
cofiei a minha rala barba
recordando sonhos do passado
quando a roçava no teu corpo
e um frémito te percorria
como se nada mais houvesse
senão nós dois unidos
no prazer da carne.
Quando te vi
lembrei-me que de nada serviu
todas essas entregas,
da barba mal feita
da força dos sentidos
do amor nas giestas.
Quando te vi
tu já não existias
eras miragem
das noites de luar
de um tempo que se foi.
Agora que não te vejo
de ti só me restam…
pequenos detalhes!
10/03/14
Renascer...

Está a chegar a alegria da cor. A natureza vai-se transformando. Os rebentos das sementes cresceram e deram lugar a caules coroados por flores.
Os cardos deixaram de ser pardacentos e abriram-se numa multiplicidade de coroas violetas.
As crisálidas estão na última fase de maturação. Dentro de poucos dias, milhares de imagos emergirão das suas entranhas e, esvoaçando, entrarão no frenesim da procriação.
A Primavera é vida que renasce e, com ela, renascemos nós!
Os cardos deixaram de ser pardacentos e abriram-se numa multiplicidade de coroas violetas.
As crisálidas estão na última fase de maturação. Dentro de poucos dias, milhares de imagos emergirão das suas entranhas e, esvoaçando, entrarão no frenesim da procriação.
A Primavera é vida que renasce e, com ela, renascemos nós!
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