18/10/06

No Escuro da Noite!...





  A chuva cai impiedosa. A lua vai, aqui e ali, penetrando a sua luz por entre as nuvens, iluminando, por breves espaços de tempo, a figura que junto a uma esquina procura algo ou alguém.

 Os carros, poucos, passam em louca correria, como se a noite fosse uma inimiga e a velocidade esventrasse o seu seio, deformando-a com os seus raios de luz.

 As nuvens voltam a tapar a lua, momentaneamente deixo de ver a figura que junto à esquina procura algo ou alguém.

 Faz-se silêncio, nada se move, nada se ouve, só eu e ela estamos ali. Não nota a minha presença, está só com o mundo!...

 Um pequeno brilho, uma lágrima rola. O seu rosto permanece fixo virado para o nada, as mãos premem o peito como se houvesse ali uma dor imensa num corpo dolorido.

 Volta a chover intensamente, encosta-se procurando refúgio na soleira esconsa de uma porta.

 Aproximo-me, passo o meu braço sobre os seus ombros, um pequeno frémito percorre-lhe o corpo molhado e juntos embrenhámo-nos, no escuro da noite.