16/02/07

O Meu Caminho!...





  Sigo o meu caminho. Não há nada nem ninguém que consiga desviar um só milímetro deste meu rumo. Olhando para os caminhos que percorri, para aquilo que passei, pelas matas onde andei, pelas mulheres que amei não me arrependo de nada.

  Sigo o meu caminho serenamente, fitando aquele que será o derradeiro caminho da minha vida com a sensação plena de que se mais não fiz foi porque mais não pude.

Se não voei mais alto, foi porque voei até onde as minhas asas o permitiram.


  Sigo o caminho… o meu caminho!... Nunca segui dogmas, conceitos, opiniões de quem quer que seja. Nunca me senti mais um do rebanho, pois nunca houve “pastor” que tivesse coragem de tentar levar-me por caminhos que não fossem os meus.

  Segui o meu caminho ouvindo os meus cantores de intervenção com uma espingarda na mão, e nunca houve ninguém que me impedisse de os ouvir, mesmo que tivesse como destino quatro paredes e umas grades como quarto.

  Nos meus caminhos olhei a cascata caindo sobre corpos cor de ébano, riachos com água límpida escorrendo pelas minhas mãos, corpos de crianças dando os últimos suspiros, pés nus calcorreando picadas, pores-do-sol deslumbrantes, céus estrelados, passagem de meninas a mulheres nas “casas-de-tinta” após a 1ª menstruação, virgindades vendidas e, à volta da fogueira, ouvia histórias de um povo orgulhoso, enquanto a madeira crepitava e bebidas escorriam.

  Segui sempre o meu caminho sem medos, mesmo que, a meu lado, o capim restolhasse, que por perto balas silvassem, que o meu pescoço braços o apertassem.

  Sigo o meu caminho, continuarei a ver o mar em cima do meu penedo, perscrutando as suas entranhas, falando baixinho com ele mesmo que o mundo desabe à minha volta.

Continuarei a ser EU, podem dizer de mim o que quiserem, o que bem entenderem mas Homem castrado, isso, … Nunca o serei!


Obrigado minha Mãe pelo facto de me teres deixado nascer!