14/04/05

Cabelos cor de prata

Os olhos são espelho de minha alma
O cabelo cor de prata, a minha velhice
As rugas são riscos da minha calma
Calma humanista já alguém mo disse.

Temos que agarrar o sol, agarrar a vida
Que passa por nós à desfilada
Tirar o espinho da fera ferida
Transformá-lo num ser de forma alada

Para mim a vida só faz sentido
Se tiver todo o Homem, como amigo!


Marius70

15.08.2003

Para ti, que já tens os teus cabelos cor de prata como os meus, te dedico esta canção.



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                       Meus cabelos cor de prata
                            São beijos de serenata
                            Que a lua mandou pra mim
                            Os meus cabelos grisalhos
                            São pingos brancos de orvalho
                            De um tinteiro de nanquim

                            Estes meus cabelos brancos
                            Que hoje são da cor dos bancos
                            Solitários de um jardim

                            Já sentiram muitos dedos
                            E ouviram muitos segredos
                            Que elas contavam para mim

                            Se hoje estão desbotados
                            É porque foram beijados
                            Com muito amor e emoção

                            E os beijos foram tão puros
                            Que os meus cabelos escuros
                            Estão da cor do algodão

                            Eu fiz tanta serenata
                            que a lua desfeita em prata
                            Mandou mil beijos pra mim

                            E os beijos foram tão puros
                            Que os meus cabelos escuros
                            Ficaram brancos assim.

                            Estes meus cabelos brancos
                            Que hoje são da cor dos bancos
                            Solitários de um jardim

                            Já sentiram muitos dedos
                            E ouviram muitos segredos
                            Que elas contavam para mim

12/04/05

O Porteiro da Noite

 Nos cantos do bar, as aranhas teceram as suas teias e nelas vão apanhando as moscas que agora povoam o espaço onde dantes ecoavam gargalhadas.

 Copos sujos, permanecem caídos sobre o balcão, com marcas de baton no seu rebordo, que tilintavam ao sabor de uma Cuba Libre, de um whisky, ou de um PisangAmbom.

 Ao canto um toca-discos onde corpos, ao som de músicas românticas, se movimentavam numa sensualidade arrebatadora e se fundiam num corpo só, pleno de entrega e prazer!

 Ainda ali está a mesa onde escrevi o meu «Só», olhando a noite fria que me esperava através da vidraça!

 Aqui se fizeram amizades continuadas, para além do espaço e do tempo que os separa!

 Agora é um espaço quase vazio, nada mais é como dantes!

Eu fui o último... porteiro da noite!



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 Sou o porteiro da noite. Dos encontros e desencontros que se fazem.

 Vejo o que se passa mas permaneço cego, ouço mas permaneço surdo e às perguntas mais inconvenientes permaneço mudo. É este o meu papel neste bar.

 Quem cá entra e com quem sai não me interessa. Vivo em função do mundo. Giro e em meu redor outros giram. Com ou sem rumo definido. Tudo gira numa procura constante de algo ou de alguém a quem se agarrar como tábua de salvação de uma existência fugaz.

 Escapatória simplória. Braços, abraços, pernas entreabertas, estonteantes, um convite à luxúria, ao prazer.

 Na calçada passos apressados, um chiar, uma porta que se abre, uma porta que se fecha. Um corpo que se abandona, uma paixão que explode em mil tormentos, um beijo roubado em lábios frios, insensíveis... E a noite que nunca mais acaba.

 Olhos ensonados, maltratados, boca de esgares, de vícios consumidos entre um copo e um cigarro. Tudo vejo, pois sou... o porteiro da noite!



Tema escrito num Fórum, onde muitas amizades se fizeram e era o ponto de encontro dos que andavam... Fora-de-Horas! 15 Abril 2003 - 12-04-2005